A obra apresenta um sapatinho de cristal feito de gelo, produzido a partir de um molde de silicone. O objeto é registrado em tempo real enquanto derrete, evidenciando sua fragilidade e impermanência. O processo de dissolução do sapatinho — impossível de calçar e incapaz de abrigar qualquer pé — tensiona o imaginário da espera pelo príncipe encantado e pelas promessas de salvação externa.
À medida que o gelo se desfaz, o objeto simbólico desaparece diante do espectador. Como em um rito de passagem, o derretimento convida à revisão de crenças e expectativas sustentadas por narrativas de resgate e idealização