Falhantes, pares de telhas de faiança decoradas de azul cobalto sobre branco que se voltam para o entorno. Simultaneamente lunetas e megafones, espiam e gritam, amplificam e esvaziam. São os quatro olhos e as quatro bocas abertas da torre. O motivo floral que as recobre carrega uma suavidade que contrasta com a estranheza dos dispositivos. Entre delírios poéticos, um aviso de terra à vista e um chamado sem resposta.
Objetos para vozes exauridas, discursos trôpegos, refrões sem refrão, ritornelos que colapsam. Se organiza em torno desses corpos cerâmicos a possibilidade de uma orquestra de sopros convocando a escuta do que ainda não chegou, do que talvez jamais se diga. Há um silêncio cheio de esforço à espera de vozes por vir na aposta em mensagens vacilantes, alertas cósmicos ou sísmicos.
Burburinhos que não conduzem à ação, não sustentam sentido, mas insistem, se pronunciam, não podem fazer mais nada senão falar. Como O Esgotado, que já não exprime possibilidades, mas as exaure, restando apenas o balbucio: falas que falham.
Dimensões variáveis
Foto: Mario Grisolli
"A palavra germinante é a palavra cosmológica, viva, orgânica. Por exemplo, quando nós falamos “confluência”, nós falamos com uma palavra germinante.
Antônio Bispo dos Santos"
Falhantes
Galeria da Fundação Getúlio Vargas
Obra integrante da Exposição ADIAR O FIM DO MUNDO curadoria deAilton Krenak e Paulo Herkenhoff, na @fgv.arte