Tende a lua. Em circuito fechado de tubos de acrílico e PVC, circula, impulsionada pela água, uma esfera, quase lua. Movimenta-se como se guiada por uma força invisível. O verso “Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua”, canção de Os Paralamas do Sucesso, de 1991, traz o nome das rotações e translações em curso. Submerso nas paredes do tubo, um hidrofone capta e devolve vibrações de várias densidades líquidas para o ambiente. A esfera flutua como ente lunático. Estabelecem-se reverberações, ecos que se deformam e se encontram. O corpo visita entre-campos como pensamento em rotação, como bailarina, como astronauta à deriva em busca de órbita possível, como você e eu.