um trecho de memória. uma via de miolo de pão. rosinhas que o pai encantava à mesa na hora das refeições. mastigo família, tradição e propriedade e regurgito pão e circo. perfuro a bisnaga. arranco seu miolo. trago da moça com a flor na boca que distribui, ao rés do chão, uma série de micro rosinhas. é o vulto de pirandello que fulgura na armadilha de quem olha por onde pisa. exercício viciado das mãos durante a cambalhota. tropeço e tombo, de nariz. Manoel (Bandeira) e suas acrobacias exploratórias de manuscritos conversa ao lado de Joaquim (Cardozo). superpiruetas furam lona e beijam nuvens. nunca lhe prometi jardim algum, apenas inicio com flores, as que posso, as de miolo de pão que ao se consumirem se abrem ao inapreensível: rota sem valor de uso ou troca. maxicambalhota em autodissolução. talvez contra-força que vislumbra “valor de contorno e valor próprio, belas especulações do espírito humano que não deixam de ser uma maneira inteligente da moça brincar com o infinito.”
flores à todos os envolvidos
aodilea freitas . gabriela bernardo . margarete esteves . aline beatriz de souza . bia petrus . cadu costa . caio carvalho . cláudia lyrio . denise moraes . efrain de almeida . elizabeth franco elisa simões . fatima pedro . fernanda pinto . francisco cintra . fred carvalho . gabriele esteves . joão hisse . joão pedro costa . lais correa . julia studart . laura cosenday . manoel ricardo de lima . marcelo campos . marisa flórido . mauro bustamante . mônica cruz . rafael ayres . ricardo paes . sonia salomão . yolanda esteves . artistas e curadores que participaram da exposição limiares
paço imperial . rio de janeiro . 2017
https://vimeo.com/manage/videos/235978423
"braviário
talvez esse novo projeto traduza o palmilhar de uma política na arte ou para arte. um arremedo de força ou apenas uma iniciação a Hakim Bey. digo talvez porque ainda aprendo a fazer aliança com o dispêndio e o caráter destrutivo, a permanecer do lado de fora da concha. aprendo justamente a ter coragem de fechar a porta do armário estofado de veludo onde se acumulam sabores burgueses e seus esqueletos. toda noite é isso: uma porta aberta ao assombro. agora, já não acrescentam mais nada as justas opiniões ou as praticadas de- scrições sobre as coisas, trabalhos ou acontecimentos. também não basta a mea culpa sem percorrer a implacável distância entre umbigo e ponta do nariz. esse mise en abyme, esse mínimo de nós duas, eu e mercadoria, eu e arte, eu e escrita. recupero algumas das notações das aulas e percebo que fechar a boca ou olhos pode ser atividade essencial para colocar, do nariz, uma ponta ínfima para fora, conselho de Nelson Felix: arte esse negócio construído de loucura. um espreitar-se em ato, espécie de bootstrap. alças com as quais agarro-me. sampler a ascensão do Barão. penso em vínculos: fragilidade e força"