Artista e designer, doutora em Linguagens Visuais pela UFRJ (2018), onde também concluiu o mestrado. Desenvolve projetos instalativos pluridisciplinares que articulam mecanismos, objetos, fotografias, desenhos, vídeos e esculturas. Em suas obras surgem criaturas metabólicas, quimeras maquínicas, fósseis de terracota e uma multiplicidade de seres reais e fabulares.
Seu crescente interesse por mundos fictícios, habitados por uma diversidade de seres míticos, instaura reinos e narrativas híbridas. Em seu processo, aproxima presilhas de cabelo de seres marinhos de tentáculos agressivos; sacolas de lixo que, por instantes, a transportam ao país maravilhoso de Alice e seu coelho; e livros que se abrem como ninhos, de onde emergem pássaros-peixes e outras criaturas imaginárias. Vasos, quando encaixados entre si, formam uma criatura mitológica gigante composta por anéis de terracota — um corpo-fronteira que habita zonas de passagem entre terra e mar, visível e invisível, conhecido e desconhecido.
Como um asterismo, conjuga constelações inexistentes entre arte, ciência e baixa tecnologia. Sua prática também se volta para as ambiências dos espaços expositivos e de outros ambientes que seu corpo atravessa. Ao ocupar lugares não convencionais, explora situações nas quais se incorpora: em movimento, aciona atmosferas, cria intimidade com mundos e modos de existência possíveis, expandindo as formas de relação com o ambiente.
É também um corpo-resistência, que recusa qualificações de gênero e se move de forma singular ao longo de seu processo de trabalho. A partir de seus estudos em psicomotricidade, cria conexões multissensoriais e adota um modo de operar queer. Inventa atmosferas e as envolve em espirais temporais que permitem encontros entre passado e futuro, na intensa presentificação produzida pelos híbridos — objetos-seres — que cria, com os quais dança e faz dançar.
Em 2024, a artista participou da residência artística Híbridos em Portugal, com apoio da Direção-Geral das Artes e da República Portuguesa, experiência que reafirmou uma poética voltada à criação de um mundo real inesgotável, que se sustenta nos espaços lacunares entre o que vemos, percebemos e imaginamos. Esse modus operandi também orientou a ocupação da Biblioteca da Faculdade de Letras do Porto com a exposição Pássaros Lacunares.
Em 2025, além da individual elataquidentro, que ocupou o Solar Grandjean de Montigny, a artista retorna a Portugal para concluir o projeto “Que(m) sabe de que(m) sou feita”, iniciado em 2023 em residência na Trust Collective e no Espaço AND Lab em Lisboa, com acompanhamento singularizado e aplicação direta do MO_AND por Fernanda Eugenio, no âmbito do programa Crafting.