Boceja, ação involuntária, marcada pela abertura da boca e uma profunda inspiração de ar — uma suspensão momentânea entre o impulso e o repouso. Em alguns casos, parte de uma função anatômica importante: o reposicionamento da mandíbula. Boceja articula massas escultóricas, ligadas por uma estrutura de ferro que tensiona o espaço entre ornamentos de gesso, cimento e suas próprias sombras. Duas partes que juntas evocam uma abertura flexível e ameaçadora. Há algo de um desejo animal nessa presença. O alinhamento entre os dois lados remete à mecânica da captura; um corpo que recebe outro e que cede para conter esse último. O sistema mandibular, análogo a anatomia das serpentes, abre amplamente e parece bocejar para reencaixar os ossos do crânio no lugar correto. Deseja o avanço silencioso em direção a ingestão de elementos maiores que sua própria arcada. Boceja, aqui, é menos gesto e mais máquina, intervalo entre o repouso e a violência.