Falhantes, pares de telhas de faiança decoradas de azul cobalto sobre branco que se voltam para o entorno. Simultaneamente lunetas e megafones, espiam e gritam, amplificam e esvaziam. São os quatro olhos e as quatro bocas abertas da torre. O motivo floral que as recobre carrega uma suavidade que contrasta com a estranheza dos dispositivos. Entre delírios poéticos, um aviso de terra à vista e um chamado sem resposta.

Objetos para vozes exauridas, discursos trôpegos, refrões sem refrão, ritornelos que colapsam. Se organiza em torno desses corpos cerâmicos a possibilidade de uma orquestra de sopros convocando a escuta do que ainda não chegou, do que talvez jamais se diga. Há um silêncio cheio de esforço à espera de vozes por vir na aposta em mensagens vacilantes, alertas cósmicos ou sísmicos.

Burburinhos que não conduzem à ação, não sustentam sentido, mas insistem, se pronunciam, não podem fazer mais nada senão falar. Como O Esgotado, que já não exprime possibilidades, mas as exaure, restando apenas o balbucio: falas que falham.