Talvez esse novo projeto traduza o palmilhar de uma política na arte ou para arte. um arremedo de força ou apenas uma iniciação a Hakim Bey. digo talvez porque ainda aprendo a fazer aliança com o dispêndio e o caráter destrutivo, a permanecer do lado de fora da concha. aprendo justamente a ter coragem de fechar a porta do armário estofado de veludo onde se acumulam sabores burgueses e seus esqueletos. toda noite é isso: uma porta aberta ao assombro. agora, já não acrescentam mais nada as justas opiniões ou as praticadas descrições sobre as coisas, trabalhos ou acontecimentos. também não basta a mea culpa sem percorrer a implacável distância entre umbigo e ponta do nariz. esse mise en abyme, esse mínimo de nós duas, eu e mercadoria, eu e arte, eu e escrita. recupero algumas das notações das aulas e percebo que fechar a boca ou olhos pode ser atividade essencial para colocar, do nariz, uma ponta ínfima para fora, conselho de Nelson Felix: arte esse negócio construído de loucura. um espreitar-se em ato, espécie de bootstrap. alças com as quais agarro-me. sampler a ascensão do Barão. penso em vínculos: fragilidade e força dos rastros, sobrevém o novo projeto: um trecho de memória. uma via de miolo de pão. me ocorrem as rosinhas que o pai encantava à mesa na hora das refeições. mastigo família, tradição e propriedade e regurgito pão e circo. perfuro a bisnaga. arranco seu miolo. trago da moça com a flor na boca que distribui, ao rés do chão, uma série de micro rosinhas. é o vulto de pirandello que fulgura na armadilha de quem olha por onde pisa. há, ainda, descrição. ainda o exercício viciado das mãos durante a cambalhota. tropeço e tombo, de nariz. Manoel e suas acrobacias exploratórias de manuscritos conversa ao lado de Joaquim. superpiruetas furam lona e beijam nuvens. nunca lhe prometi jardim algum, apenas inicio com flores, as que posso, as de miolo de pão que ao se consumirem se abrem ao inapreensível: rota sem valor de uso ou troca. maxicambalhota em autodissolução. talvez contra força que vislumbra “valor de contorno e valor próprio, belas especulações do espírito humano que não deixam de ser uma maneira inteligente da moça brincar com o infinito.” sigo a notação da nuvem. uma pirueta, duas piruetas, bravo, bravoooo!