Dormentes repousam, semi-encastoadas, em suas torres de disparo. Tal como mísseis, pedras voadoras fossilizadas, massas de concreto moldadas como pinhas-balaustres. Arranjam-se para virar projéteis. Dispõem-se montadas sobre catapultas improvisadas de madeira, molas e ferragens, um engenho precário, mas determinado.
Propulsivas, essas criaturas híbridas entre ruína e ameaça, relíquia e vetor podem pensar a arquitetura funerária e o poder fálico dos impérios antigos, mas são colunas, almejam tanger céus. Obelisk – relíquia vertical de caráter colonial, arcaico e sólido e Obelith – variação também mineralizada, carrega no nome a lembrança de “monolith” e “lithos” e se apresentam obstinadas ao disparo.
Ambas encetam atravessar, furar o ar espesso do meio-dia, abrir passagem entre mundos. Colunas-torpedo, carregam em suas corpas a tensão do salto e da queda, são arquitetura e artilharia. Como todo artefato de impulso, suspendem o tempo no momento em que avaliam o caminho a seguir. Entre o re-pouso e o re-voo, entre a intenção e o impacto, a matéria se encontra no ponto em que um gesto pode transformar o mundo ou, quando muito, fazer vibrar as janelas.