Vasa é um soma, um ser ctônico - chthõn, em grego significa “terra”, associada a coisas que habitam dentro ou abaixo da terra - gigante mitológica, portadora de brechas onde parcialmente se deixa entrever notícias sobre a magnitude da mecanosfera. Encontrada sobre a superfície terrestre também frequenta o aberto e algures, os mares atlânticos.

Há registros dessas criaturas mitológicas nos mapas medievais. São seres que tanto aparecem em superfícies terrestres como nas marítimas. São dragões, sereias, krakens, leviatãs, unicórnios, serpentes, Vasas, representantes do desconhecido e dos perigos dos reinos sobrenaturais.

Comumente associada à mitologia do submundo, Vasa, o gigante terracota, lida com a potência da des-cisão (deixar de estar cindido com a natura) diante do incomensurável e traz notícias sobre a vastidão da terra. Seu caráter modular de dimensões variáveis faz com que seja adaptável a muitos tipos de territórios e ambientes se espalhando vertiginosamente. Característica que impede sua captura e a livra de ser apossada ou invadida dada sua vastidão imparável.

Trabalho criado durante o Projeto Híbridos: Corpos, Paisagens e Territorialidades, apoiado pela República Portuguesa – Cultura e Direção-Geral das Artes, em parceria fértil e produtiva capaz de promover ações coletivas que articularam arte-educação-vida, entre os participantes Bia Petrus, Marcel Alcântara, Pedro Bitencourt; Varietati, Bruno de Almeida, Catarina Magalhães e os ambientalistas: João Valente e Nuno Moutinho.